Cama compartilhada e objetos no berço podem oferecer risco aos bebês, diz pesquisa

Levantamento publicado na revista científica Pediatrics alerta sobre os cuidados que os pais devem tomar durante a noite. Entenda

A ansiedade de sair da maternidade e levar o recém-nascido para casa é grande. Você espera que ele tenha noites de sono tranquilas, certo? É natural ter a preocupação de que nada de ruim ocorra enquanto a família esteja descansando. Não conseguimos ter controle sobre tudo (apesar de desejarmos), mas há recomendações médicas que aumentam a segurança do bebê nesse período.

Um estudo publicado na revista científica Pediatrics investigou quais são os maiores fatores de risco durante o sono infantil, após analisar 8.207 mortes de bebês ocorridas nos Estados Unidos, entre 2004 e 2012. Nos falecimentos de bebês entre 0 e 3 meses, 74% deles dormiam na mesma cama que os pais. Já na faixa etária de 4 meses a 1 ano, 39% dos óbitos ocorreram em berços nos quais havia objetos como cobertor, travesseiro e brinquedos.

Mas por que a cama compartilhada é tão perigosa? “O recém-nascido é frágil. Durante o sono profundo, os pais podem se movimentar na cama e esmagar o filho, sem querer”, explica Maria Cristina da Silveira, pediatra do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Além disso, o sistema respiratório nesse período ainda é imaturo. Ao dormir muito próximo aos adultos, o bebê inalará o gás carbônico exalado pelos pais. “Isso diminui o fluxo de oxigênio para a criança e prejudica o organismo dela.”  É claro que, nos primeiros meses de vida do seu filho, você quer passar a noite com ele e vigiá-lo de pertinho. Afinal, é cansativo se levantar tantas vezes para amamentar durante a madrugada. Mas, para evitar o risco de acidentes, posicione o berço ao lado da cama do casal – é uma forma mais segura de velar o sono do recém-nascido.

A neurocientista Andréia Mortensen, da  Drexel University College of Medicine (EUA), discorda da metodologia do estudo. Para ela, os pesquisadores deveriam ter levado em conta os hábitos das famílias analisadas. “Uso de cigarro, álcool e drogas (incluindo medicamentos) e obesidade dos pais são fatores de risco que precisam ser considerados." Nesses casos, o sono dos responsáveis pela criança seria mais pesado, o que aumenta as chances de sufocarem o bebê com o corpo sem perceber. Por isso, Andréia completa: "não é possível determinar que uma variável sozinha, como compartilhar a cama, seja inerentemente responsável pelo risco de morte do bebê”.

Cuidados com o berço

É importante, conforme o estudo revelou, retirar objetos que oferecem risco do local onde o bebê dormir. Brinquedos pequenos, por exemplo, podem ser levados à boca durante o sono – seu filho pode confundi-los com a chupeta e engasgar. Os bichinhos de pelúcia, por mais fofos que sejam, também podem sufocar. Além disso, os ácaros e o pó aumentam o risco de reações alérgicas e de problemas respiratórios.

Até a roupa de cama merece cuidado. O travesseiro deve ser usado com elevação de 45°, tocando na metade do tórax da criança para cima.  “Ao elevar a cabeça e o esôfago, o refluxo fisiológico pode ser evitado”, afirma a pediatra. Deixe o bebê de barriga para cima, e nunca de bruços: como ele ainda não sabe fazer a lateralização da cabeça, pode se sufocar no travesseiro durante a noite. E como evitar acidentes com o cobertor? Você pode recorrer aos sacos de dormir. Eles são uma espécie de saco mesmo com a parte de cima parecendo uma regata e têm um zíper na frente para fechar, o que facilita a troca da fralda durante a noite.

Tomando esses cuidados, seu filho ficará mais seguro. E você também conseguirá dormir com tranquilidade. Boa sorte!

Fonte: Revista Crescer