Desinformações sobre a infecção pelo vírus Zika

Tendo em vista o grande número de informações sobre o vírus Zica divulgadas erradamente por blogs, sites e formadores de opinião, a Sociedade de Pediatria de São Pauo solicitou ao Departamento Científico de Infectologia um parecer sobre os principais pontos críticos. Veja abaixo e compartilhe!
 
 
Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil.
Dra. Silvia Marques, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP
 
Como se não bastasse o momento tão difícil, com a detecção de um novo vírus circulando em nosso país – o vírus Zika – no qual todos os esforços se voltam para o estudo científico da doença, pessoas se aproveitam para veicular notícias descabidas para confundir a população.

Microcefalia e as vacinas na gestação
Primeiramente, recebemos a notícia de que o aumento de casos de microcefalia observado no Nordeste do Brasil, e depois em outros Estados, estaria relacionado com as vacinas aplicadas na gestação. As vacinas aplicadas na gestação, como a influenza e a tríplice acelular tipo adulto, (contra difteria, tétano e coqueluche) têm vasta bibliografia e informações sobre as aplicações, mostrando a sua importância e segurança. Os principais órgãos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendam essas vacinas na gestação.

Tanto a OMS quanto um extenso estudo realizado em 2014 – um levantamento do Global Advisory Committee on Vaccine Safety (GACVS) – mostraram que não há evidências de que vacinas administradas durante a gravidez causariam qualquer problema congênito nos bebês. Não há, portanto, registro na literatura médica nacional e internacional sobre a associação do uso de vacinas com a microcefalia. Todas as vacinas ofertadas no Brasil, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), são seguras.

Microcefalia e o inseticida piriproxifeno
Outra informação que circulou recentemente foi que o inseticida piriproxifeno seria a verdadeira causa da microcefalia. Uma equipe de cientistas da OMS recentemente revisou os dados toxicológicos do piriproxifeno, um dos 12 larvicidas que a OMS recomenda para reduzir a população de mosquitos, e não foram encontradas evidências de que o larvicida afete o desenvolvimento de fetos.

Microcefalia e os mosquitos geneticamente modificados
Por fim, a notícia de que mosquitos geneticamente modificados (genes dos machos modificados) estariam causando microcefalia. Mais uma informação errônea sobre essa prática, que tem como objetivo controlar as populações de mosquitos.

Há várias causas de microcefalia, mas muitas evidências apontam o vírus Zika como o responsável pelo aumento de casos no Brasil. O vírus foi isolado do líquido amniótico de dois fetos diagnosticados com microcefalia antes do nascimento, e o material genético do vírus Zika foi identificado em vários órgãos, inclusive cérebro, de uma terceira criança, que morreu logo após o nascimento.

Informação responsável
Orientamos que a população acesse sites idôneos e responsáveis para obter informações sérias e adequadas sobre a infecção pelo vírus Zika.

Sites sugeridos:
www.portalsaude.gov.br
www.paho.org
www.cdc.gov
www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/
www.spsp.org.br

Fonte:  Departamento Científico de Infectologia da SPSP