Enurese noturna

 A criança consegue controle voluntário do esfíncter da urina entre 2 e 4 anos. Muitas crianças ainda molham a cama ocasionalmente à noite, nessa faixa de idade. Ocorre em geral 2 a 3 vezes por semana, sendo que a frequência vai diminuindo gradualmente, e em geral para ao redor dos 5 anos. Estatisticamente, a enurese noturna ocorre em 40% das crianças aos 3 anos, 20% aos 5 anos, 10% aos 6 anos e 3% aos 12 anos. Apenas em 1% dos casos existe uma causa orgânica.
A enurese ocorre porque a bexiga da criança ainda não é grande o suficiente para conter a urina produzida durante toda uma noite de sono. Além disso, a criança ainda não amadureceu a capacidade de acordar com a urgência da bexiga cheia. É perfeitamente normal também ocorrerem escapes durante o dia até os 5 a 6 anos, com uma gargalhada da criança, durante atividade esportiva, ou quando fica muito entretida brincando.
 
Existem dois tipos de enurese. A enurese primária, quando a criança nunca teve o controle, molha a cama quase todas as noites. Na enurese secundária, a criança já tinha controle há pelo menos 6 meses, e voltou a molhar a cama.
Na maioria das vezes o melhor modo de se lidar com a enurese é encarando como algo natural e sem importância. Não se deve voltar a pôr fraldas, nem brigar ou punir a criança. Algumas crianças, aproximadamente uma em cada dez, continuam urinando quando dormem após os 5 anos, o que é chamado de enurese noturna. Ocorre em meninos em 2/3 dos casos, e em geral existe história familiar associada, isto é, ocorria também com um dos pais. Nessa fase, em geral a enurese não está associada a nenhum problema emocional ou físico, porém vale a pena uma conversa sobre isso com o pediatra, ao invés de esperar que o problema se resolva sozinho. Quando a enurese ocorre também durante o dia pode indicar algum problema renal ou da bexiga.
 
 As principais causas da enurese são: demora no desenvolvimento da habilidade de acordar quando a bexiga se enche; infecções urinárias ou irritações da mucosa genital; obstipação intestinal (por pressão do reto sobre a bexiga); algum estresse emocional; e mais raramente problemas anatômicos do trato urinário ou diabetes mellitus. Dentre essas causas, a obstipação é uma muito importante, que muitas vezes não é lembrada ou associada à queixa urinária.
 
Durante o treinamento da retirada das fraldas sempre vão ocorrer os “acidentes”, que vão ficando cada vez menos frequentes até 6 a 12 meses do início do treinamento. Ao redor dos 6 anos, esse acidentes devem ser pouco frequentes. O pediatra deve ser avisado caso seja notado urina turva ou com sangue, jato urinário muito fraco ou que fique pingando após urinar, vermelhidão na região genital ou molhar a calça/roupa de baixo também durante o dia. Existe um mito que os problemas ocorrem quando se inicia o treinamento muito tarde. Na verdade, o treinamento muito cedo é que pode ser prejudicial. Este deve ser iniciado quando a criança dá sinais de que já está pronta: avisa que fez xixi, tem curiosidade em usar o vaso sanitário ou começa a se incomodar e querer tirar a fralda, entre outros sinais. Se existir certa pressão da escolinha para que crianças de 2 anos já estejam sem fraldas, sugiro trocar de escolinha.
 
Caso se suspeite que não seja apenas um atraso do desenvolvimento normal da criança, podem ser necessários alguns exames para investigar infecções urinárias ou exames de imagem para avaliação do trato urinário.
 
O tratamento é diferente para quando a enurese é diurna ou noturna, primária ou secundária. Cada caso deve ser discutido individualmente com o pediatra mas, em linha gerais, deve-se explicar para a criança que os pais entendem e sabem que não é culpa dela. A pressão sobre a criança para conseguir controlar a bexiga à noite não ajuda em nada, pois a enurese é involuntária. Deve-se diminuir a ingestão de líquidos perto da hora de dormir, e levar ao banheiro logo antes de deitar. Pode-se tentar também levar a criança novamente ao banheiro quando os pais forem dormir, se a criança já estiver dormindo há pelo menos uma hora. É muito importante também elogiar as noites “secas”, mas não brigar nas noites “molhadas”. Quando nada disso funciona, pode ser necessário usar medicações ou usar um método de condicionamento com um tipo de alarme que avisa quando começar a ficar úmido.
 
Fonte: Pediatra On Line