Meu Filho não come...

"Meu filho não come". Essa é a queixa mais comum de pais de crianças de 2 a 6 anos. No entanto, a redução no apetite da criança, nesse período, é natural e reflete a diminuição do ritmo de crescimento e o aumento de sua curiosidade pelo meio ambiente. Nessa fase, o leite costuma ser um dos alimentos mais aceitos pelos pequenos. Veja como tirar proveito desse fato e prepare-se para as mudanças no apetite de seu filho, tratando a questão de maneira tranquila.

         

Por que a criança come menos dos 2 aos 6 anos? Existe três causas principais que explicam esse comportamento.

1. Diminuição do crescimento.

No primeiro ano de vida a criança cresce muito rápido - ganha em torno de 25 centímetro de altura. A partir do segundo ano o ritmo diminui - ela ganha cerca de 12 centímetros de. Dos 3 aos 6 anos, a criança cresce menos ainda: em média, de 5 a 7 centímetros por ano. A consequência desse fato da vida é a menor necessidade  de energia e de nutrientes, o que acaba refletindo diretamente no apetite da criança.

2. Aumento do grau de autonomia.

À medida que a criança se desenvolve, passa a ter preferências alimentares nem sempre saudáveis. Também percebe a atenção que os pais dispensam à sua alimentação, sendo bastante usual utilizar o fato para chamar a atenção deles. Nesse momento, ela passa a comer menos. Se os pais cedem, o comportamento se consolida e acontecem as famosas situações: "Se comer tudo a sobremesa será um lindo chocolate" ou "coma tudo que a mamãe traz um presente". Daí em diante, comer menos passa a ser a arma utilizada por muitas crianças para impor suas vontades.

3. Interesse pelo ambiente que a cerca.

No segundo ano de vida, com maior maturidade muscular, a criança anda com mais desenvoltura e passa a explorar o ambiente. Ela prefere conhecer os objetos da casa, antes fora de seu alcance, a ficar quieta, sentada, comendo. Isso sim tem nada de novidade. Para ela, brincar com novelo de lã é mais criativo do que enfrentar um prato com arroz, carne, feijão e legumes.

 

QUANDO A FALTA DE APETITE NÃO É NATURAL.

Nem sempre comer menos é uma situação normal e esperada para a idade. O melhor que os pais procurem ajuda de pediatra, assim que notarem a diminuição do apetite da criança, pois pode ser sinal de alguma doença ou deficiência de minerais e de vitaminas em especial de ferro. Tais deficiências desenvolvem-se a partir de uma ingestão insuficiente e, no caso do ferro,  a causa pode ser a menor absorção desse mineral. Se não houver  interferência, a anemia aparece, inibindo mais ainda o apetite. O resultado pode levar ao crescimento inadequado. Só o pediatra pode avaliar a criança e determinar a causa da falta de apetite. Por isso, peça a ajuda.

 

COMO O LEITE PODE AJUDAR

O leite é um excelente parceiro para essas hora difíceis. É um nutritivo, pois é rico em proteínas, cálcio, vitamina A e muito outros nutrientes. É flexível, permitindo inúmeras preparações como papas, bolos, suflês e crepes. É bem aceito pela maioria das crianças e quando combinado com outros alimentos, deixa a alimentação infantil mais equilibrada. Falta de apetite é um fenômeno comum da primeira infância e o leite é um parceiro ideal para evitar a formação de maus hábitos alimentares.

 

BONS HÁBITOS ALIMENTARES: A MELHOR ESTRATÉGIA CONTRA A FALTA DE APETITE.

A formação dos hábitos alimentares começa aos seis meses de vida, quando novos alimentos são introduzidos, complementando o aleitamento materno. É quando a criança passa a conhecer novos sabores e as texturas dos alimentos. Nessa fase, os pais devem ter muita paciência para ensinar seus filhos a terem bons hábitos.

 

 

INTRODUÇÃO DE NOVOS ALIMENTOS

Até os seis meses, o bebê só deve ser amamentado no peito. Depois dessa idade, as crianças começam a conhecer pouco a pouco os alimentos. Primeiro, na forma de papa salgada e de frutas. À medida que a criança for amadurecendo, a textura da alimentação deve ir ficando mais firme. No final do primeiro ano, ela deve estar apta a comer junto com a família e receber os mesmos alimentos, com pequenas modificações na textura e nos temperos.

 

Dos 2 aos 3 anos

Com essa idade, a criança já tem suas preferências alimentares, que devem ser respeitadas. Nada de insistir com a criança para que coma um determinado alimento depois de oferecido por mais de quatro vezes e de formas diferentes. O melhor é substituí-lo por outro do mesmo grupo nutricional. Por exemplo, se rejeitar cenoura, procure oferecer abóbora ou beterraba. Se ela não gosta de maça, substitua por outra fruta. É errado excluir totalmente um grupo de alimentos e aceitar o fato: “Meu filho não come frutas”.

Conhecendo os alimentos de todos os grupos, a criança vai pouco a pouco formando seus hábitos alimentares. Para complementar: ela precisa de exemplos dos adultos e de um ambiente tranquilo para fazer suas refeições. De nada adianta ensinar os filhos a comer legumes se os pais não fazem o mesmo.

 

FORMAR BONS HÁBITOS

É muito comum, diante da falta de apetite dos filhos, os pais oferecerem alimentos com muito açúcar (guloseimas, refrigerantes, entre outros) apenas pelo alivio de vê-los comer. Trata-se de um equivoco. A falta de apetite, na maioria das vezes, passa, mas os maus hábitos não.

 

CRIANÇAS QUE NÃO COME. O QUE FAZER?

1- O primeiro passo é verificar com a pediatra o crescimento da criança. Se estiver evoluindo dentro do esperado para a idade, não se preocupe, ela deve estar comendo o suficiente. Só há problema se ela não estiver recebendo os alimentos de todos os grupos: cereais, pães, legumes, frutas, carnes e leite.

 

2-  Não chantageia a criança. Oferecer presentes, passeios, chocolates ou doces para que ela coma bem pode tornar-se um hábito. Dessa forma, só comerá mediante recompensa, reforçando sua rejeição ao alimento. O caso fica grave quando a falta de apetite afeta o crescimento.

 

3- O rigor excessivo com horários e controle rígido sobre a quantidade de alimentos podem criar na criança aversão aos alimentos. Procure utilizar atitudes positivas para persuadi-la. Por exemplo, perguntando como ela quer frango: com legumes ou com macarrão? Assim, a criança se sentirá participante de processo e passará a comer a preparação que ela mesma ajudou a escolher.

 

4- Não engane a criança tentando disfarçar os alimentos. É importante a ela saber que tomate é tomate, chuchu, é chuchu e devem ser oferecidos como são. Só assim ela identifica o sabor e a textura de cada um deles. Chamar a couve-flor de árvore só vai confundir a criança.

 

5- Doces, salgados, refrigerantes e balas fazem parte da vida da criança. Eles estão na cantina da escola, na mão do coleguinha e na televisão. Proibi-los não é uma boa estratégia, o melhor é controlá-los e estabelecer limites, como, por exemplo, escolher um dia da semana para o refrigerante. Lembre sempre à criança que os sucos são melhores.

 

6- Não deixe a criança a criança comer em frente à televisão ou ao computador. Essa é uma atitude que banaliza a relação dela com o alimento. Faz com que o sabor e a textura dos alimentos sejam menos percebidos, diminuindo a convivência familiar, que é fato fundamental para a formação de hábitos alimentares saudáveis.

 

7- Geralmente as crianças têm preferências por bebidas: use essas preparações no lanche da tarde. Elabore bebidas nutritivas com leite integral, frutas, cereais e mel.

 

8- Os suplementos vitamínicos e minerais não devem ser utilizados como estimulantes do apetite. Eles só são recomendados quando as crianças apresentam algum tipo de deficiência e quando indicados apenas por um médico.

 

9- Evite açúcar em demasia. Use-o, sempre com parcimônia, como parte da uma preparação ou para adoçar sucos e o leite. Evite-o em alimentos doces por natureza, “como, por exemplo, as frutas”.

 

 

10- Evite dar líquidos durante as refeições. Eles desviam a atenção e como são mais fáceis de ingerir em relação a comida, a criança acaba fazendo a substituição.

 

 

Fonte: Leite é vida