Os desafios dos primeiros dias de aula

  

A partir de hoje, você confere aqui no site CRESCER uma série com 5 blogueiras contando as dificuldades e as descobertas da semana de adaptação às aulas. Na estreia, a blogueira Thais Ventura conta o que está fazendo - pela segunda vez - para que o filho Dudu aproveite a escola sem sofrimento

No ano passado, quando o Dudu fez 1 ano e 10 meses, resolvi colocá-lo na escola por meio período, para que eu pudesse me concentrar no blog. Infelizmente, a experiência não foi das melhores... Era só chegar na rua do colégio para o berreiro começar! E olha que eu insisti: tentei fazer a adaptação por dois meses seguidos, mas ele chorou todos os dias. Aí, eu, mãe-coração-mole, decidi por um fim naquele sofrimento – mesmo depois de ter gastado uma facada com material, matrícula, uniforme e tudo. Achei melhor esperar mais um ano para tentar a adaptação novamente, com o Dudu mais maduro.


 

Como morávamos ao lado de uma escola, o Dudu via as crianças brincando da janela do quarto e me dizia que queria ir lá brincar com elas. Meu coração apertava. Fiquei superculpada em deixá-lo “preso” em casa. Apesar de ir todas as manhãs à pracinha e socializar com crianças da idade dele, o Dudu passava o restante do dia comigo – e confesso que, às vezes, não dava a atenção que ele necessitava (sabe aquela culpa que a gente sente quando não se dedica 100% ao filho por qualquer motivo? Então...).

Depois de um tempo, comecei a usar os episódios da janela para incentivar o Dudu a gostar da escola, mostrando como era legal todas aquelas crianças juntas.Recentemente, mudamos de cidade e, agora que meu filho tem quase 3 anos, resolvi colocá-lo no colégio de novo. Ele ficou todo empolgado! Escolhi um lugar bem pequeno e familiar, com poucas crianças por sala. Ali, todo mundo conhece todo mundo. Apesar da alegria do Dudu, eu tinha certeza de que não seria fácil. Então, sempre que eu falava que ele já era um rapaz e que se divertiria muito na escola, terminava o discurso pedindo para ele repetir comigo “a mamãe vai, mas a mamãe volta... A mamãe sempre volta”.

Até que chegou o primeiro dia de aula este ano. Como passei o tempo todo junto, foi uma festa para meu filho. Nem ir embora ele queria! Só que, no dia seguinte, resolvi sair de vista e... foi aquele desespero novamente! O Dudu chorou forte e só parou quando me viu. Então, pedi para as professoras me avisarem sempre que ele chorasse assim, pois não quero forçar uma situação e acabar criando uma barreira entre ele e a escola.

verdade é que, desde que o Dudu nasceu, a gente passa 24 horas por dia juntos. Ele mama no peito até hoje, o que pra mim não é um problema, mas isso reforça nosso vínculo. Por isso, entendo que ele possa demorar mais do que a maioria das crianças para se adaptar. Então, estamos evoluindo lentamente. Na primeira semana, por exemplo, fui todos os dias à escola. Às vezes, ele ficava mais de meia hora sem se lembrar da minha existência. Outras, não queria desgrudar de mim nem para colorir. Na segunda semana, ele ficou doente, por isso não levei. Na terceira, as crises continuaram fortes... Percebi, então, que a minha presença estava atrapalhando e comecei a sair mais cedo da aula, sempre avisando o Dudu que voltaria para buscá-lo. No início, ele chorou um pouco, mas logo começava a brincar e se distraía.

Estamos aumentando a cada dia o tempo em que ficamos separados. Confesso que tenho sofrido junto, mas, como estou fazendo um projeto de merenda saudável na escola, estarei bem presente por lá. Acho que vai ser bom, pois o Dudu terá tempo de conhecer melhor todo mundo nesse começo e ficar bem quando eu estiver ausente. Tudo o que eu mais quero é ver meu pequeno numa boa e se divertindo com os amigos! Quando isso acontecer, quem vai ter que se adaptar à casa vazia e silenciosa uma parte do dia sou eu! Mas acho que sobreviverei.

Fonte: Revista Crescer