Campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas: eu cuido, eu confio, eu vacino

Em abril, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove a campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas: eu cuido, eu confio, eu vacino, uma iniciativa dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da SPSP, cujo objetivo primordial é levar informações sobre a importância da vacinação, aumentando, assim, a confiança e a valorização das vacinas, além de discutir e mostrar os riscos da recusa vacinal.

 

 

 

De acordo com o pediatra Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Imunizações da SPSP e coordenador da campanha Abril Azul, poucas intervenções em saúde pública tiveram tanto impacto na humanidade como as vacinas. “Os benefícios são inequívocos, com redução de mortes, hospitalizações, sequelas, e especialmente contribuindo para a melhora da qualidade de vida da nossa população”, salienta o médico. Ele comenta que essa história de sucesso iniciou-se no século XVIII, com as pesquisas do médico inglês Edward Jenner, que culminaram com o desenvolvimento da vacina contra a varíola, responsável pela erradicação dessa doença no mundo no final da década de 1970.

“Para termos uma ideia da magnitude dessa conquista, estima-se que a varíola foi responsável pela morte de 300 milhões de pessoas durante o século XX”, explica o pediatra. Ele revela que as vacinas contribuíram, ainda, para a eliminação de doenças como a poliomielite (hoje restrita a poucos países no mundo), e controle de outras, como o sarampo, a rubéola, a difteria e o tétano (reduzidas a um número muito menor de ocorrências em comparação ao passado). “Nesse contexto, a campanha Abril Azul – Confiança nas vacinas tem como objetivo essencial reforçar a credibilidade das vacinas, destacar a importância de mantermos elevadas coberturas vacinais, impedindo, dessa forma, o ressurgimento dessas temidas doenças na nossa comunidade”, declara.

Para Claudio Barsanti, presidente da SPSP, as vacinas têm um papel extremamente importante na erradicação e controle de doenças e a recusa vacinal pode ter um impacto muito negativo para a saúde pública, inclusive contribuindo para emergir doenças que já estavam controladas ou até mesmo erradicadas. “Vale lembrar que a vacina tem também grande relevância na nossa economia e aspecto social. A vacinação leva a uma redução de custos com consultas, tratamentos e internações e proporciona melhores condições de saúde”, afirma o médico.

Segundo a pediatra Silvia Regina Marques, presidente do Departamento de Infectologia da SPSP, as vacinas representam a melhor intervenção em saúde em termos de custo-benefício, evitam dois a três milhões de mortes a cada ano em todo o mundo e aumentam a expectativa de vida. “Não vacinar as crianças coloca-as em risco de desenvolver doenças potencialmente fatais (sarampo, tétano, difteria meningite etc.) e causadoras de sequelas para o resto da vida, como paralisia (poliomielite), surdez (meningite por H influenzae, caxumba), retardo no desenvolvimento, entre outras”, alerta a especialista.

Silvia relembra que a região das Américas foi a primeira do mundo a receber, em 2016, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o certificado da erradicação do sarampo, rubéola e rubéola congênita. “No entanto, o Brasil acaba de perder esse certificado em março deste ano, considerando o número crescente de casos em alguns estados brasileiros. As baixas taxas de cobertura vacinal contra a doença foram as responsáveis por este insucesso”, lamenta a médica.

Movimentos antivacinas

Sáfadi explica que a situação do sarampo na Europa ilustra muito bem as consequências negativas de movimentos antivacinas, que insinuavam associações mentirosas e falsos eventos adversos às vacinas, levando à queda das coberturas vacinais. “Em 2018 foram reportados mais de 12 mil casos de sarampo na Europa, com 33 mortes. Recentemente, tivemos a confirmação do primeiro caso de tétano nos últimos 30 anos no Oregon, EUA, em um menino de seis anos não vacinado”, relata.

“Temos ainda o total descaso e abandono das autoridades sanitárias, como o que está ocorrendo atualmente na Venezuela, que fez com que o esse país tivesse o registro de surtos de sarampo e difteria com centenas de mortes e hospitalizações associadas”, continua o pediatra, informando que a entrada de imigrantes venezuelanos no Brasil deflagrou o retorno do sarampo ao nosso País, com mais de dez mil casos e pelo menos 12 mortes registradas em 2018. “Isso demonstra a fragilidade das nossas coberturas vacinais e a presença de grandes bolsões de suscetibilidade às doenças imunopreveníveis”, acrescenta.

O especialista diz que, por tudo isso, a campanha Abril Azul é essencial. Claudio Barsanti comenta que a SPSP organiza, para abril, uma programação especial para ampliar os conhecimentos a respeito de assunto tão importante, como é a questão da vacinação. “Essas ações são fundamentais porque, enquanto sociedade científica, somos formadores de opinião, e não só da sociedade em geral, mas dos médicos pediatras. Portanto, é nosso dever informar o que está acontecendo e tentar reverter os rumos da história da recusa vacinal”, conclui o presidente da SPSP.

Fonte: Assessoria de imprensa da SPSP.

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