Cólicas no primeiro ano de vida

Cólica: o que é e quais os sinais

As clássicas cólicas do lactente se destacam em prevalência, variando de 10 a 30% em todo o mundo. Refere-se ao choro súbito, inexplicado e inconsolável (que não responde às medidas habituais de conforto), que costuma ocorrer a partir da segunda semana de vida, sendo a sexta semana a fase do pico de choro do lactente, durando até os três meses de idade.

A cólica típica se manifesta como uma crise de choro forte, agudo, estridente e “em crescendo”, acompanhada de face mais avermelhada ou contraída, as mãos ficam apertadas, as coxas ficam fletidas sobre o abdome (o famoso encolhimento de pernas do bebê). Com frequência ocorre a eliminação de gases, que parece trazer um alívio temporário para a crise. Esse choro persiste por algum tempo, cessa espontaneamente, mas pode retornar logo a seguir, quando a cólica volta a ocorrer. Todas estas manifestações representam uma crise de dor que ocorre mais frequentemente entre 18 e 22 horas.

Na prática, então, a cólica é frequentemente caracterizada apenas pelo choro sem motivo aparente, que ocorre em crianças saudáveis com ganho de peso e estatura dentro do esperado.

Quais as causas

Nenhum fator isolado explica a cólica do lactente, podendo ser uma variante normal e estar relacionada à imaturidade fisiológica. Pode também resultar de um distúrbio no binômio mãe-filho, em que a angústia e ansiedade maternas geram estresse e inquietação no bebê, interferindo no momento da amamentação.

Outras causas podem ser: técnica incorreta de amamentação, que resulta em aerofagia (criança engole ar); distonia neurovegetativa, resultando numa motilidade intestinal alterada, com aumento do peristaltismo e da pressão retal. O excesso de gases – que gera flatulência e distende as alças intestinais provocando as cólicas – também pode ser atribuído a uma má absorção fisiológica e transitória da lactose. Para lactentes em aleitamento artificial, o preparo incorreto da fórmula é uma causa importante.

O que fazer e como tratar

Diante deste momento de choro inconsolável, que traz aos pais um sentimento de frustração e impotência, o mais importante é manter a calma e ter muita paciência para poder ajudar o bebê a passar por esse período. Algumas intervenções comportamentais podem ser eficazes no manejo das cólicas: aconchegar a criança para junto do corpo, intercalando com exercícios de massagem no abdome e movimentos com as pernas “tipo pedalar uma bicicleta”. Além disso, a redução de estímulos como “chacoalhar” e diminuir o nível de barulho no ambiente também ajuda a reduzir a frequência e a intensidade do choro.

Corrigir a técnica de amamentação, propiciando uma pega adequada do seio materno e a não deglutição de ar, bem como o correto preparo e diluição da fórmula láctea, em caso de bebês não amamentados exclusivamente, também são intervenções importantes.

Em alguns casos, a intervenção na dieta pode ser efetiva, com exclusão temporária da proteína do leite de vaca da dieta materna em lactentes em aleitamento materno. Já quando o bebê estiver em uso de fórmula láctea, a troca por fórmulas parcialmente hidrolisadas ou com baixo teor de lactose, pode ajudar.

A intervenção farmacológica deve ser discutida caso a caso com o pediatra que acompanha o lactente. A Dimeticona é um óleo inerte que quebra as bolhas de ar, reduzindo a flatulência e o uso de analgésicos comuns pode ser necessário.

Quando não se tratar da clássica cólica do lactente

Fora dessa faixa etária, principalmente após o sexto mês de vida, quando há a introdução da alimentação complementar, as cólicas ainda podem ocorrer com intensidade e frequência diferentes, dependendo da causa.

A introdução da alimentação complementar por si só pode causar cólicas devido a adaptação do organismo a esses novos alimentos apresentados. Além disso, a ingestão excessiva de alimentos, bem como de alimentos impróprios para essa fase, como salgadinhos e guloseimas, pode provocar desconforto tanto intestinal quanto gástrico. Verminoses, incomuns nessa idade, podem ocorrer por falta de higiene no preparo dos alimentos e na falta de fervura da água oferecida à criança. Infecções, tanto por vírus quanto por bactérias, também podem acometer o bebê, porém costumam estar associadas a outros sintomas (vômitos, diarreia, febre).

A constipação intestinal, ou intestino preso, pode ter a cólica como sintoma importante, associada a dificuldade para evacuar. Pode ser causada por uma dieta pobre em verduras, legumes e frutas, além da baixa ingestão de água.

Todos os casos devem ser avaliados e orientados individualmente pelo pediatra, o melhor profissional para acompanhar as crianças em todas as fases da vida.

Fonte: Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP.

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