Aleitamento materno

Aleitamento materno: existem dificuldades?

Quando se pergunta às gestantes sobre sua intenção de amamentar a resposta é “um sim” quase unânime. Então, por que nem todas conseguem? Quais as maiores dificuldades encontradas no aleitamento materno?

A insegurança é uma delas. Para driblá-la, a mãe precisa contar com um pediatra que a oriente e uma rede de apoio que esteja disposta a ajudá-la.

A falta de informação também é vilã. A maioria das mães com dificuldade na amamentação foi pouco informada sobre a produção do leite materno e as fases da amamentação. Apesar da busca virtual pelo conhecimento, elas nem sempre conseguem por em prática o que aprenderam sem ajuda de um profissional. A insegurança pode levar ao contato precoce com fórmulas lácteas e uso de bicos artificiais, dificultando o aleitamento.

O apoio insuficiente nas maternidades também pode contribuir. Atualmente, a redução de leitos e a alta precoce, muitas vezes antes da descida do leite, podem gerar ansiedade e atrapalhar o sucesso do aleitamento.

Outros desafios podem surgir tais como alterações da anatomia das mamas e mamilos, retorno ao trabalho, ingurgitamento das mamas, linguinha presa, fissuras e dor.

Mas, felizmente, a vontade de amamentar, a persistência e paciência das mães, juntamente com o apoio de seus pediatras e familiares, podem ajudar a superar essas dificuldades e tornar real e prazeroso o sonho da amamentação!

Amamentação em situações especiais

Embora a amamentação seja fundamental para a sobrevivência infantil com qualidade de vida, muitas vezes encontramos situações de difícil manejo, como prematuridade, gemelaridade, recém-nascidos com malformações dos mais variados órgãos.

Mas, mesmo nesses casos, o leite da mãe ainda é a melhor fonte de nutrientes, pois é um “alimento vivo” com mais de 250 fatores de proteção já comprovados, células tronco, ativadores da imunidade, entre outros.

A amamentação acalma o bebê, reduz a dor causadas por intervenções médicas ou relacionadas à doenças. Mas, possivelmente, o maior benefício seja o vínculo mãe-filho: um bebê que se sente amado tem sua autoestima elevada, algo tão importante para “querer viver”.

Além disso, amamentar é importante em muitas outras situações, como por exemplo: favorecer o desenvolvimento do sistema sensório-motor-oral, evitando problemas futuros de mastigação, oclusão dentária, fala, apneia do sono.

Construir com os pais a compreensão da importância da amamentação talvez seja o auxílio mais importante, além de ressaltar seu significado nesses casos. A pessoa qualificada para isso é aquela que conhece hoje a “Medicina Personalizada”, isto é, aquela que promove atenção a “tudo” o que envolve a amamentação: quem é essa mãe que amamenta e seu bebê; o que ela sabe sobre a amamentação nessa situação; quais os efeitos e como cuidar dessa relação mãe/filho/família.

Quanto dura uma mamada?

O bebê humano, ao nascer, é o menos apto a sobreviver quando comparado aos outros mamíferos. A teoria da exterogestação explica que o bebê ao nascer, após nove meses (38-40 semanas), não está “pronto” e se comporta como se vivesse ainda no útero materno: precisa de alimento o tempo todo, com intervalos muito curtos. Mamar a cada três horas é um sonho distante. Recomenda-se manter amamentação em livre demanda (LD), ou seja, oferecer os dois seios, quando solicitados. O bebê decide quanto ele precisa mamar.

Os seios são fábricas de leite e não reservatório. A maior parte da produção se dá durante a sucção. O leite anterior é o que mata a sede e hidrata, sai assim que o bebê suga; o leite posterior, que tem mais gordura, sai após a troca de olhares, afeto, acolhimento e um pouco mais de tempo de mamada e é o que faz engordar e sacia o bebê.

Conforme o bebê suga, o leite sai e se alternam sucção e pausa. Muito leite significa mais pausas, menos esforço. Mamadas curtas e frequentes estimulam os seios, significando que o bebê mama mais vezes.

Nas primeiras semanas de vida, a sensação de amamentar o dia todo não é muito distante da realidade. Com o tempo, ainda em livre demanda, os intervalos aumentam e se regularizam.

A recomendação de todas as instituições envolvidas com a saúde da criança é que a amamentação seja em livre demanda, desde a sala de parto, e exclusiva até o 6° mês de vida, seguindo até dois anos ou mais.

Leite ou composto lácteo?

Qual a diferença entre leite e compostos lácteos?
Como eles são designados pelos órgãos reguladores e são aprovados para serem comercializados?

Isso não está claro nos rótulos ou nas promoções. Compostos lácteos são produtos em que a quantidade de carboidrato pode variar de 11 a 19g; a quantidade de proteína de 2,4 a 5,8g; a de gordura total de 1,9 a 7,9g; e a de sódio de 49,5 a 169mg por porção.

Para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)-1996, o leite em pó integral deve conter 26 gramas ou mais de gordura.
Assim, o composto lácteo não é sinônimo de leite em pó. É um produto a base de soro de leite, adicionado de maltodextrina, que aumenta a palatabilidade e a oferta de calorias.

A dieta diversificada, com alimentos in natura ou minimamente processados, sem adição de açúcar, aumenta os fatores de proteção e minimiza os riscos à saúde da criança.

Enquanto isso, os compostos lácteos contribuem para um processo de escolhas alimentares monótonas que aumentam a chance de a criança formar um hábito alimentar inadequado, com preferência para os alimentos doces e não nutritivos.

É disso o que nossas crianças precisam?

Fonte: Departamento Científico de Aleitamento Materno da SPSP.

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