COMO FUNCIONAM E O QUE ESPERAR DAS VACINAS DE GRIPE EM CRIANÇAS?

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A gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza. Ela é muito mais perigosa que o resfriado comum: a cada ano, milhões de crianças ficam doentes com gripe sazonal e, desses, milhares são hospitalizadas por pneumonia e desidratação, além de centenas de mortes. A melhor forma de se prevenir é através da vacinação – ela é segura para qualquer pessoa com seis meses de idade ou mais e protege a criança e as pessoas ao redor dela da infecção e de suas complicações.

Por que as crianças devem receber a vacina contra a gripe?

As sociedades médicas de todo o mundo recomendam vacinação universal anual contra influenza para todos as crianças com seis meses de idade ou mais, adolescentes, adultos e idosos. O foco especial em crianças existe, pois aquelas com menos de cinco anos de idade – especialmente as menores de dois anos – correm alto risco de desenvolver complicações graves relacionadas à gripe. Além disso, são capazes de transmitir o vírus influenza de forma muito eficiente para indivíduos com alto risco de complicações relacionadas à infecção.

Como funcionam as vacinas contra a gripe?

As vacinas contra gripe são produzidas usando pequenos fragmentos de vírus inativados (denominadas fragmentadas inativadas) ou usando partículas projetadas para parecer com um vírus da gripe no sistema imunológico (chamadas subunitárias). Dessa forma, não são capazes de causar gripe no indivíduo vacinado, mas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos cerca de duas semanas após a vacinação. Esses anticorpos fornecerão proteção unicamente contra os vírus que estão na vacina.

Os tipos de vírus contidos nas vacinas podem variar conforme o país e os produtos disponíveis em um determinado ano.

Algumas das vacinas protegem contra quatro vírus da gripe diferentes, sendo chamadas quadrivalentes ou tetravalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e dois vírus influenza B, que são as recomendadas pela Dra. Monica Picchi se possível. 

Por que, diferentemente das outras vacinas do calendário de imunizações, devo vacinar contra gripe todos os anos?

Crianças entre seis meses e nove anos que tomam a vacina da gripe pela primeira vez devem receber duas doses com intervalo de, pelo menos, 30 dias entre elas. A partir dos anos seguintes, uma dose da vacina contra a gripe é necessária a cada ano por dois motivos. Primeiro porque, apesar da proteção imunológica de uma pessoa pela vacinação ser mais robusta nos 3-4 meses após a vacinação, ela diminui consideravelmente ao longo do tempo. Isso significa que, se a criança for vacinada em março/abril, a proteção será significativamente menor a partir de setembro/outubro do mesmo ano. Portanto, é necessária uma dose anual antes do período de circulação do vírus para uma proteção ideal em cada temporada de gripe. Segundo: como os vírus da gripe mudam constantemente, as vacinas contra influenza costumam sofrer atualizações de uma estação para a outra, de acordo com os vírus que circularam com maior frequência na temporada anterior. Assim, embora alguns indivíduos vacinados contra a gripe retenham a imunidade protetora de uma estação para a outra, isso é menos provável quando o tipo de vírus circulante muda.

Quais são os grupos considerados de risco para evoluírem com infecção grave por influenza e suas complicações?

Crianças menores de cinco anos de idade e idosos (acima de 65 anos) ocupam posição de destaque entre os indivíduos de risco aumentado. Gestantes e puérperas, trabalhadores em área de saúde, indígenas e professores também são grupos prioritários. Além disso, as seguintes condições clínicas se aplicam a todas as faixas etárias: doença respiratória crônica (incluindo asma), doença cardíaca crônica (incluindo cardiopatias congênitas), diabetes, doença neurológica crônica, imunossupressão (de qualquer tipo e causa), obesidade, doença renal crônica, doença hepática crônica, trissomias (alterações genéticas dos cromossomos) e transplantados.

O que posso esperar das vacinas contra a gripe nas crianças?

As vacinas contra gripe têm um excelente histórico de segurança. Centenas de milhões de brasileiros receberam vacinas contra a gripe com segurança nos últimos 40 anos, além de extensas pesquisas reforçando o seu perfil de segurança.

 

A vacina tem contraindicações?

As únicas pessoas que não devem recebê-la são bebês menores de 6 meses e indivíduos com histórico de choque anafilático após doses anteriores. Recomenda-se que quem estiver com uma infecção que cause febre, por mais leve que seja, espere-a passar para receber a injeção. Isso para que uma eventual febre baixa disparada pela vacina não seja confundida com a doença.

Mas que fique claro: as doses não podem causar a gripe, porque são produzidas a partir de vírus inativados. Suas reações adversas, quando surgem, são leves e muito bem toleradas.

Caso você tenha desenvolvido síndrome de Guillain-Barré até 30 dias depois da vacinação do ano passado, procure um médico para ele avaliar seu quadro e verificar se é melhor levar a picada ou não.

 

Posso tomar a vacina se eu já peguei o coronavírus?

Não existe nenhuma evidência de que o Sars-CoV-2 influencie na eficácia ou na segurança da vacina contra a gripe. Se você já se curou da Covid-19, pode se imunizar tranquilamente.

Agora, o ideal é que pessoas que estejam infectadas com o coronavírus naquele momento (ou com suspeita) aguardem a recuperação clínica total com pelo menos quatro semanas de distância do início dos sintomas antes de buscar a dose contra o vírus Influenza.

Isso para não haver confusão entre os sintomas da Covid-19 e alguma reação da vacina. E também para proteger pessoas que estão aplicando e recebendo as doses.

Posso tomar a vacina da gripe junto com a da Covid-19?

Devido à falta de estudos investigando os efeitos das interações entre os dois imunizantes, por ora o Ministério da Saúde sugere que não sejam aplicados simultaneamente.

 

A vacina que protege contra a gripe pode ser tomada a qualquer momento, desde que seja respeitado o intervalo de 15 dias em relação às doses da vacina contra a Covid-19. 



Fonte :Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo, CNN Brasil, Veja Saúde Abril

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